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Professores uni-vos!
06/03/2010 - Fonte: Sandro Silva Araujo



Pesquisando na internet me deparei com uma entrevista publicada pelo site do Instituto Humanitas Unisinos, sobre uma pesquisa lançada pela Fundação Carlos Chagas afirmando que somente 2% dos jovens brasileiros se interessam em atuar profissionalmente como professores.

Decidi então, em nome dos professores de minha infância, adolescência e juventude que me ajudaram a ser quem sou como pessoa e professor mostrar porque nossa classe pode ser considerada em extinção. Analisando bem as funções dos professores, chega-se à conclusão de que realmente, um professor para merecer ser assim chamado, tem que ser um ser especial, com uma real vocação para o magistério, pois não é fácil ser professor. Não é apenas  decorar as aulas, e despejar matéria em cima dos alunos. Envolve muita coisa. Exige mesmo uma doação por parte daqueles que escolheram essa profissão. Podemos considerar professores, como uma classe em extinção,  devido a certas condições,  que cada vez mais, dificultam o exercício de sua profissão, sobretudo no Ensino Público e assim, cada vez menos pessoas querem abraçar uma profissão que, além de ser mal remunerada, ainda conta com a falta de reconhecimento, não só por parte dos alunos, mas também e principalmente por parte dos governos.

A história era outra...

Ser professor já foi motivo de orgulho e dignidade. No início da década de 1920, os movimentos de base e a criação de partidos de esquerda imprimiram na educação brasileira um cunho político de "direito de todos". Já no final da mesma década, as discussões sobre educação se desenvolveram menos voltadas a questões políticas e mais a pedagógicas. Foi um importante movimento que produziu o "manifesto dos educadores da educação nova", cujos signatários tinham nomes bem conhecidos dentro da área, como Anísio Teixeira, Lourenço Filho, Fernando de Azevedo, etc. No contexto pós-guerra, década de 1950 e início da de 1960, novamente a educação e a cultura se viram politizadas por meio de campanhas de alfabetização, teatro para o povo, movimentos estudantis pela democratização da universidade. Tudo isso foi cortado a partir de 1964, quando os rumos da educação tomaram conotação tecnicista por influência estadunidense, em acordos com o governo militar. Nessa época, inicia a privatização da educação superior no Brasil, que foi incrementada intensamente nos governos neoliberais a partir de 1990. Assim, a falta de valorização da carreira do professor. Um profissional sobrecarregado, desmotivado e desvalorizado.

Professores uni-vos!

O slogan político "Proletários de todos os países, uni-vos!", um dos mais famosos gritos de protesto do socialismo, vem do Manifesto Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels, cabe a classe dos professores. Não é um apelo a um movimento de desobediência civil, nem o seu contrário, é apenas a manifestação pública de acordo com princípios de coerência e responsabilidade de buscarmos nossa valorização e acima de tudo dignidade!