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Páscoa de Isabella
30/03/2010 - Fonte: Sandro Silva Araujo



Para mim, esta páscoa será marcada como sendo da "Isabella" e o desfecho do julgamento de seu pai e madrasta, condenados pelo seu assassinato.

Todo desenrolar da história desde seu inicio passou a impressão de que Isabella não era nada. Será que esse pai e esta madrasta vieram de uma cultura familiar onde o amor era desconhecido? É muito assustador que alguém agarre o pescoço de uma criança, a esgane até matar, e que depois atire pela janela para completar o "serviço". Não se trata de dedução minha, são revelações do legista. E mais assustador ainda é ver a frieza, a esperteza aparente de desejo de salvarem-se todos. É um caso que mexeu fundo com as emoções de muitos, e que mostra a ponta do iceberg de um mal que a sociedade ainda não sabe lidar: As consequências da inversão dos valores, cuja primeira vítima é a família. É uma visão muito comum ver portões altos, cercas elétricas e grades em janelas nas moradias, a busca pela segurança. Paradoxalmente, na área de valores morais e éticos está acontecendo o inverso: a sociedade brasileira está pondo abaixo os muros da decência, os portões da honestidade, as cercas da honradez, e as trancas da verdade. O que está acontecendo em nosso meio? Será que não está nos faltando vivenciar as "passagens" de nossa vida?

Páscoas: as muitas travessias

Para os judeus, a páscoa, é uma recordação da saída do povo escravizado no Egito, quando Moisés foi instruído a pedir para que cada família hebréia sacrificasse um cordeiro e assinalasse as portas com o sangue do animal, para que não fossem acometidos pela morte de seus primogênitos. Como lembrança desta libertação, foi instituída para todas as gerações o sacrifício de páscoa. Para os cristãos, é uma recordação da morte e ressurreição de Jesus Cristo, que institui a páscoa após a celebração da última ceia com seus amigos. Para os pagãos, a páscoa é uma comemoração do inicio da primavera (renovação da vida) e boas colheitas. A sua origem é incerta, mas está ligada à deusa Eoster, cuja raiz etimológica está presente na palavra Easter, que significa Páscoa em inglês. Para os comerciantes, a páscoa se inicia pouco tempo após o carnaval, quando as lojas e supermercados começam a colocar enfeites e produtos como o coelho da páscoa, ovos de chocolate, colomba pascal, símbolos emprestados da cultura pagã e que significam a renovação da vida. Poucos dias antes do domingo de Páscoa, podemos ver pessoas se apinharem nos supermercados e lojas para suas compras, como se isso fosse uma obrigação quase que religiosa. Em todas as comemorações existem os ritos, há um antes e um depois, há uma ruptura. Os que fazem a passagem se transformam. Se bem repararmos, toda a vida humana possui estrutura pascal. Toda ela é feita de crises que significam passagens e processos de amadurecimento. São verdadeiras travessias com riscos, perigos, dramas humanos como o do caso Isabella. Mas a páscoa traz uma novidade, muito bem intuída pelo filósofo Hegel, numa sexta-feira santa: "A páscoa nos revela a dialética objetiva do real: a tese, a antítese e a síntese. Viver é a tese. A morte é a antítese. A ressurreição é a síntese. A síntese é um processo de recolhimento e resgate de todas as negatividades dentro de outra positividade superior. Assim que o negativo nunca é absolutamente negativo, nem o positivo é somente positivo. Ambos se contem um ao outro, encerram contradições e formam o jogo dinâmico da vida e da história. Mas tudo termina numa síntese superior". Independentemente de qual for a sua forma de comemorar a Páscoa, eu desejo a você uma FELIZ PÁSCOA!