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O homem que sonhava demais
14/05/2010 - Fonte: Sandro Silva Araujo



Há 42 anos, um tiro desfechado em Memphis, Tennessee (EUA), pretendia assassinar um sonho. Acertou apenas na vida biológica do homem que sonhava, mas seu sonho explodiu em milhares e milhões de outros homens e mulheres que continuam sonhando o sonho que não morreu naquele dia.

A 4 de abril de 1968, o pastor batista de 39 anos preparava-se para uma marcha em favor dos direitos dos negros. Uma bala interrompeu sua vida; mas, não seu sonho. Assim como sua vida desde muito jovem era movida pela força do sonho e alavancada pela utopia que é o motor da história, assim também a bala assassina a atingiu, mas não a eliminou. O jovem Martin Luther King, teólogo, filósofo e sociólogo, doutor pela Universidade de Boston, incansável ativista político em prol dos direitos humanos, muito concretamente dos negros segregados de seu país, deixou de ser um personagem histórico para transformar-se num símbolo. Antes de ser líder, Martin Luther King foi discípulo. Aprendeu de outro mestre, Mahatma Gandhi, que na Índia dobrou o orgulhoso Império Britânico com suas idéias e ações de desobediência civil não-violenta. Mais imediatamente aprendeu com a grande mulher negra Rosa Parks, que com sua recusa em ceder o lugar no ônibus a passageiros brancos deflagrou um movimento anti-segregacionista do qual King foi se confirmando como líder. Ele aplicava as idéias de Gandhi e a firmeza permanente de Rosa Parks nos protestos organizados. Sonhava alto e por isso não se contentava com ações rasteiras e envenenadas por ódio ou vinganças baratas. Com acertada estratégia previu que manifestações não-violentas contra o sistema de segregação predominante no sul dos EUA poderiam criar uma opinião pública favorável ao cumprimento dos direitos civis. E essa foi a ação fundamental que fez do debate acerca dos direitos civis o principal assunto político nos EUA a partir do começo da década de 1960.
Eu tenho um sonho...

Em 1963, King organizou com outros líderes a marcha para Washington, protesto que contou com a participação de mais de 200 mil pessoas em prol dos direitos civis de todos os cidadãos dos EUA. Nesta marcha, o pastor fez seu mais famoso discurso, onde expressava qual era seu grande sonho, que o movia e pelo qual dava a vida. Assim dizia: "Eu tenho um sonho que um dia esta nação vai se levantar e viver o verdadeiro sentido deste credo: "Cremos que estas verdades são evidentes, de que todos os homens são criados iguais. "Eu tenho um sonho de que meus quatro filhos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter". A marcha serviu como um último passo em direção à promulgação da Lei dos Direitos Civis de 1964, que proibiu a segregação racial em locais públicos, empresas e escolas.
Semana Martin Luther King

Há sete anos, o Centro de Estudos Filosóficos Palas Athena (São Paulo), promove esta semana, incentivando organizações, escolas e comunidades do Brasil todo para criar, ao longo do mês de abril espaços de promoção do convívio e da cidadania, alinhados com os princípios e valores que inspiraram a ação não violenta e os sonhos do líder Martin Luther King. Tal iniciativa é uma oportunidade para refletir sobre as consequências negativas da intolerância, discriminação, segregação, racismo e todos os comportamentos que, ao longo da história, legitimaram a exclusão. Esses danos não atingem apenas as vítimas, mas também os agressores e as comunidades onde se encontram. É também a ocasião para aprimorar a convivência humana desenvolvendo ações educativas por meio da aproximação das culturas e articulação dos saberes para manter acesa a vigilância e criar antídotos contra o que nos desumaniza e retarda a implementação de uma cultura comprometida com a convivência, a legitimação da diversidade e o espírito de solidariedade. Aqui em Bragança o Colégio ISE está participando deste evento com o 1º Ano Ensino Médio, na disciplina Sociologia, além disso, vale recordar que inúmeras instituições mantém vivificado o sonho de Luther King nas ações que implementam, por exemplo, o Projeto Nascer Novo que recentemente comemorou mais um ano de vida. A figura de King, o homem que sonhava, é mais do que nunca inspiradora para nós hoje, quando a sociedade em que vivemos parece ter apenas objetivos curtos e "líquidos", sem coragem de se aventurar e arriscar em sonhos ousados e "perigosos". Não tenhamos medo de sonhar demais, e fazê-lo buscando sempre a paz e a justiça, eis a lição que Dr. King continua nos dando.