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Tancredo Neves
14/05/2010 - Fonte: Sandro Silva Araujo



Tancredo Neves: 25 anos Os mais jovens não sabem muito sobre isso. Mas eu lembro bem. Foi uma comoção nacional. Tancredo Neves morreu em 21 de abril de 1985 – há 25 anos.

Nenhum outro brasileiro teve seus dias finais acompanhados com tamanha ansiedade e sofrimento, e nenhum outro teve seu féretro, que percorreu as ruas de três capitais: São Paulo, onde morreu. Brasília, onde recebeu as honras de chefe de Estado. Belo Horizonte onde fora governador e São João Del Rei (MG), sua cidade natal onde foi sepultado, acompanhado por multidões em emocionado silêncio. Ao lembrar o grande líder, responsável pela transição pacífica da ditadura ao Estado de Direito, é necessário resgatar sua trajetória política.

Um conservador diferente

Exemplo do estilo mineiro de fazer política, Tancredo Neves estava longe de ser um santo, mas fazia parte de uma estirpe de políticos conservadores que são cada vez em menor número. Políticos que estavam longe de qualquer doutrina de esquerda, mas que gostavam do Brasil, eram democratas, sabiam conversar com o povo, tinham um interesse genuíno pela população! Em 14 de março, à noite, preparando-se para a posse, Tancredo Neves, que comemorara 75 anos no dia 4, participou da missa no Santuário Dom Bosco, em Brasília, momentos depois, vítima de fortes dores, foi levado ao Hospital de Base para ser operado de complicações no divertículo, diagnóstico que o perseguira ao longo da campanha presidencial e na viagem ao exterior, depois da vitória no Colégio Eleitoral, em 5 de janeiro de 1985. Desde aquela noite, a população brasileira passou a aguardar o restabelecimento do seu líder, expectativa que não se concretizou. Jamais saberemos como seria o Brasil se Tancredo houvesse governado. Entre hospitais de Brasília e São Paulo, seguiram-se 40 dias de agonia até a morte do mineiro, no simbólico dia de Tiradentes.
Tancredo: Revolucionário!

Augusto Boal ao escrever seu antológico ensaio "Quixotes e Heróis", sobre o processo de manipulação de consciências por parte dos interesses dominantes descreve que: "As classes dominantes têm por hábito a adaptação dos heróis de outras classes. A mitificação, nestes casos, é sempre mistificadora. E sempre é o mesmo processo: eliminar ou esbater, como se fosse apenas circunstância, o fato essencial, promovendo, por outro lado, características circunstancias à condição de essência". Assim está sendo com Tancredo neste ano eleitoral: Dilma e o PT, com 25 anos de atraso homenageiam ao líder que execraram antes de tomar posse. José Serra e o PSDB cabem o que diz a lenda quando ao receber a indicação de que José Serra participasse do governo, Tancredo respondera: "Esse moço é vaidoso por demais". Tancredo foi um revolucionário no seu momento como o seria em outros momentos, inclusive no nosso. Pretendia, ainda que romanticamente, a derrubada de um regime de opressão e desejava substituí-lo por outro, mais capaz de promover a felicidade do seu povo. Bertolt Brecht cantou: Feliz o povo que não tem heróis. Concordo. Porém, nós não somos um povo feliz. Por isso precisamos de heróis. Precisamos de "Tancredos."